O verão amazônico pode se constituir em um potencial aliado à proliferação do vírus da Gripe A no Amazonas. Segundo o infectologista Bernardino Albuquerque, enquanto nos estados do Sul e do Sudeste a estação predominante entre junho e agosto é o inverno, no Norte é verão. As épocas mais quentes, comprovadamente em qualquer estado brasileiro, coincidem com menos casos de gripes.
Da mesma opinião de Bernardino é o médico infectologista e membro do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Influenza A no Amazonas, Marcelo Cordeiro. Segundo ele, o inverno nas outras regiões brasileiras favorece o aumento de casos da doença, em função da maior probabilidade de proliferação de vírus nessa época do ano.
“Qualquer tipo de gripe tem no inverno maiores chances de transmissão. No caso da Região Norte, ao contrário, por estarmos no verão, ficamos numa situação privilegiada em comparação aos estados que estão no inverno neste momento”, explicou.
Bernardino vai mais além, e diz que o vírus não resiste por muito tempo às altas temperaturas, e morre rapidamente ao chegar aos 70 graus, por exemplo. Ele explicou que o verão amazônico já parte dos 30 graus diariamente, chegando, em alguns casos, a até 40 graus, causando, no vírus da Gripe A, um efeito devastador. Bernardino também diz que no verão os aglomerados de pessoas são muito raros, o que não permite a disseminação da doença.
O médico Marcelo Cordeiro disse que, em Manaus, a Fundação de Medicina Tropical está preparada para atender os casos mais graves da doença. Casos mais simples devem ser acompanhadas pelas unidades básicas de saúde. Ele confirmou que nenhum caso secundário de influenza A (H1N1) foi gerado na cidade a partir dos quatro registros da doença no Amazonas.
O médico reforçou que todos os casos de influenza A (H1N1) em território amazonense são de pessoas que estiveram em outros estados mais afetados pela doença. No caso do Pará, que tem o maior números de casos confirmados da doença na Região Norte, todos os registros positivos para a doença referem-se a pacientes que estiveram recentemente nos Estados Unidos, Argentina, Chile, Bolívia ou em estados brasileiros como Santa Catarina, São Paulo e Rio de janeiro e Espírito Santo. (Com Agencia Brasil)