Helena Farias Fernandes, 42, mãe de Gisele, já chorou o bastante. Agora, sentada à beira do leito onde repousa Gisele, ela só acaricia os negros cabelos da filha caçula e fala, com resignação, do acidente que quase transformava toda sua vida. “Quando eu soube que minha filha tinha ficado muito ferida eu me desesperei e corri para o posto médico. Lá, me disseram que ela tinha sido trazida para o hospital, porque o corte era muito profundo”, explicou Helena com voz mansa, quase um sussuro. Mãe de 7 filhos ( Gisele é a mais nova), Helena é doméstica e no instante do acidente, estava em casa lavando roupa. “Além dos filhos, tem o meu marido para cuidar”, responde.
Helena não tem revolta e nem guarda mágoa do menor que deixou a linha com cerol esticadano meio da rua. Para ela, foi tudo uma fatalidade. Mas, não é assim que pensa e age a população de Manacapuru que, revoltada, exige que a polícia e a justiça ajam firmemente no sentido de proibir a brincadeira de papagaio de papel na área urbana, principal mente perto de aglomerados residenciais, a fim de que a vida das pessoas seja preservada. Eles têm razão.
O que aconteceu com Gisele já ocorreu em Manaus, em Itacoatiara, Parintins e por aí afora. Ela vinha conduzindo sua bicicleta, ontem (30), por volta das 16horas, próximo ao estádio Gilberto Mestrinho quando, sem mais nem menos, esbarrou na linha esticada. Com cerol. Ela apenas sentiu o sangue escorrer. Mesmo assim conseguiu chegar a um posto de saúde já banhada